*POR PROF. LÚCIO GUSMÃO: PALAVRA DE POLÍTICO DEVE ILUMINAR O CAMINHO
Meus
amigos, refletindo sobre a governança, fico me perguntando se haveria algo mais
desolador para um eleitor de determinado governante eleito sobre pilares de
diálogo, compromisso e parceria do que sentir e perceber que a porta do
gabinete está trancada e a chave parece ter sido jogada no lixo. Isso se torna
um momento quase astrofísico: o Buraco Negro administrativo. E isso é muito
grave, pois transforma antigos aliados em adversários, apoiadores viram
espectadores e promessas se transformam em versos soltos.
Como
cidadão, não posso deixar de lembrar que nossa inteligência coletiva não pode
ser desprezada. Um cargo eletivo não pode ser pensado como uma coroa, e sim
como uma função, pois é fundamental tal premissa. Nunca devemos esquecer que
vereadores, lideranças comunitárias e movimentos sociais são antenas que captam
o que a prefeitura, se estiver no alto de sua Torre de Marfim, não consegue ouvir. E não ouvir é um pecado
capital, pois na política a massa não é atraída pela força como nos ensinaram
nossos professores de Física, mas pela confiança e, quando a confiança colapsa,
tudo ao redor desaba.
Sem
aliados engajados, não há base para aprovar projetos, não há capilaridade para
executar políticas públicas, não há defesa contra oposição. O prefeito vira um
rei sem súditos, governando um reino de papel, criando um vácuo de
governabilidade que destrói a própria biografia, pois a cada promessa não
cumprida temos um tijolo a menos na construção da credibilidade. E quando a
credibilidade desaba, o prefeito não cai sozinho; mais do que isso, leva junto
o sonho de quem acreditou nele.
A
cidade não para e não se governa com base no humor do momento. O buraco na rua
não se fecha com silêncio, a escola que não foi reformada não espera a
reconciliação política, e fica claro e cristalino que a política não é um
monólogo, e sim um concerto, e um prefeito que não ouve seus aliados está
tocando sozinho, tocando para uma plateia vazia.
Eu
acredito que nada seja insanável para quem foi eleito. Há escolhas de caminho,
e um prefeito deve iluminar esse caminho afastando-se do isolamento.
Um
líder escuta antes de decidir, não pode ser ditatorial decidindo antes de
ouvir, pois, se assim o fizer, acaba por decidir sozinho o fim de todos.
Não
há buraco negro que engula mais rápido uma gestão do que a soberba. Não há
crise mais insanável do que a surdez voluntária. Porque a política, no fim das
contas, é feita de pessoas. E pessoas querem ser ouvidas. Pessoas querem ser
respeitadas. Pessoas querem que a palavra dada seja a palavra cumprida.
- "Fazer
coisas grandiosas é difícil, mas comandar grandes feitos é ainda mais."
- (Nietzsche)