*POR PROFESSOR LÚCIO GUSMÃO: A Política Como Concerto -, A Música que Ninguém Escuta
A
Política Como Concerto: A Música que Ninguém Escuta
Meus
caros amigos, certa vez, o compositor alemão Richard Wagner disse: "A música não é uma arte que se impõe;
é uma arte que convida." Aproveito para fazer uma analogia para dizer
que a política deveria ser exatamente assim, um convite ao diálogo, à escuta, à
construção coletiva e, aproveitando o que escrevi como reflexão no último
artigo dessa série um "concerto" em que cada instrumento tem sua voz,
mas todos se harmonizam em função de uma melodia maior.
Durante
as últimas eleições municipais, o último "concerto" em busca do voto,
como notas para uma partitura recordo-me de cada comício, de cada carreata, de
cada promessa lançada ao vento como sementes de um futuro que se apresentava
promissor. Recordo-me de acreditar e de sentir, que a política ainda poderia
ser um ato de amor pela cidade. Que a política ainda poderia ser, como ensinou
o filósofo Aristóteles, a arte de cuidar da polis, da
comunidade, do bem comum. No último artigo afirmei que "a porta do
gabinete se fechou". E a chave, essa, foi jogada no lixo da indiferença.
Então me atrevo a perguntar: terá sido uma ilusão que durou o tempo de uma
contagem de votos? Tudo não passou de um sonho?
Eu,
cidadão, ainda estou acordado. E ainda sonho. Sonho com um governante que
escuta, uma cidade que se move, uma política que ilumina em vez de escurecer.
Não posso ser um arauto da desilusão com meu voto e o de tantos outros. Tenho o
esperançar como sonho ainda reinante, mesmo que, ao lembrar da eleição e do que
sentimos, venha uma sensação de algo profundamente desolador nos dias seguintes
à eleição. E não falo de derrotas ou vitórias em si; falo do famigerado
silêncio. O mesmo silêncio que, meses antes, era preenchido por apertos de mão
firmes, promessas sussurradas ao pé do ouvido e olhares que pareciam dizer: "Eu
estou aqui para você".
Não
sou político. Sou apenas um cidadão que cansou de esperar. Mas, se algum dia
alguém me perguntar o que deveria ser feito, eu responderei com a clareza de
quem já viu o sol nascer em cidades que se importam que o gabinete (ou
gabinetes, melhor dizendo) seja aberto, não apenas para fotos ou visitas
protocolares, mas para escutar. Escutar o vereador que conhece as ruas, o líder
comunitário que sente a dor da periferia, o professor, como eu, que luta por
uma escola digna, o médico que se desdobra para atender a todos.
Temos
tempo para que, em uma mudança de rota dos timoneiros de nosso município, a
palavra dada seja a palavra cumprida. Não por obrigação legal, mas por
compromisso ético, e que cada promessa
seja um projeto, e cada projeto, uma realidade.
Que
fique claro aos que governam que o único legado que vale a pena construir é
aquele que beneficia todos, não apenas alguns.
"Uma
cidade é como um organismo vivo; se uma parte adoece, todo o corpo sente."
Hipócrates.