POR DR. DOMINGOS RODRIGUES: MISTÉRIO INDECIFRÁVEL!
MISTÉRIO
INDECIFRÁVEL
Por
Domingos Rodrigues¹
Medo, ansiedade, dúvidas,
expectativas, ingredientes fundamentais que antecedem todo bom reencontro.
Pensamentos desgovernados pairam sobre as mentes, a mil por ora, reencontro é
reencontro e finalmente, o astro: o friozinho na barriga, o coração acelerado,
chegou o grande momento.
Um momento recheado de
abraços, de surpresas, de comparações, um momento pra colocar o papo em dia e
assim, o presente vira passado e as vezes, futuro, quiçá estejamos numa
odisseia darkiana² em que passado, presente e futuro coexistem num loop
infinito, e quem se atreveria a desfazer o nó?
São tantas coisas, tantas
novidades e se tem reencontro, necessariamente, temos que lembrar dos que
partiram e ai vem a saudade misturada com nostalgia e aqueles mais sensíveis
tentam mudar a direção da prosa, afinal, como diz a canção “é preciso saber
viver...”³ e cada um sabe com o que precisa (con)viver.
E avançamos, porque mesmo sem
termos o tempo que passou, ainda temos todo o tempo do mundo.4 Ah os
reencontros, como mexem com a gente, como nos fazem refletir. E seguimos e
sorrimos e contamos histórias, algumas revelações divertem, outras chocam e
como chocam.
E continuamos e fazemos planos
vindouros, típico sentimento de reencontros, que ignoram que “o futuro é uma
astronave que tentamos pilotar”,5 mas está valendo, reencontro é
reencontro.
E prosseguimos, todo bom
reencontro tem sustos, tem tensões, tem olhares desconfiados e por fim, tem
alívio, afinal, apesar de não estarmos num romance de George Orwell 6,
sempre tem alguém vigiando e tentando controlar a verdade e qual será a verdade
que nos/vos libertará...7
E seguimos, e como gostaríamos
que tudo fosse perfeito, mas a perfeição é inalcançável, porque se pararmos de
melhorar, a vida perde o sentido de ser, apesar disso, temos a síndrome do
querer ser perfeito, como se estivéssemos vivendo nas histórias de Lois Lowry,8
perfeito é fazermos o melhor possível naquele momento e rirmos do que,
simplesmente, não deu certo ou não saiu como o planejado. Todo reencontro tem
planos, tem sugestões, tem cobranças, tem reclamações, como diria a poetiza: “é
o caos a ordem espontânea da natureza.”9
E chegamos ao fim, e todo fim
têm lágrimas, tem discursos e tem saudade, saudade, principalmente, daquilo que
não conseguimos fazer, na melhor versão machadiana de “A igreja do Diabo” 10,
faz parte do pacote, faz parte do processo, faz par do ser, do vir a ser
humano.
Reencontro é reencontro, a
grande lição que fica é que o que realmente importa é apreciar o momento, do
jeito que for possível, mais importante que a chegada, é o caminho percorrido,
como ensinou Dan Millman, “onde você está Dan?/ Aqui/ Que horas são?/ Agora/ O
que você é?/ ESTE MOMENTO..,11 Somos este momento e só existimos
nesse momento...
Reencontro é reencontro e
quantas risadas nos renderam e ainda renderão... E aquele medo pré reencontro? O
medo de alguma coisa, é sempre pior do que a coisa em si...12
Que nossos reencontros sejam
recheados de tudo e de nada e que continuem sendo sempre um mistério
indecifrável... "O pequeno lago transformou-se para ela num oceano
infinito, não porque fosse grande e profundo, mas por causa de seus milhares de
detalhes cintilantes e por suas ondas de formas e tamanhos fascinantes. Sofia
entendeu que poderia ficar observando este pequeno lago pelo resto de sua vida
e ainda assim ele continuaria sendo um mistério indecifrável para ela." 13
1.
Domingos Rodrigues, Advogado e Consultor Jurídico, inscrito na OAB/BA 43.508, Mestre
e Doutorando em Economia Regional e Políticas Públicas, pela UESC, e colunista
do site: www.jornaldoradialista.com.br
E-mail:
advdomingos@hotmail.com
2. Dark,
série Netflix.
3. È
Preciso Saber Viver, versão Titãs.
4. Tempo
Perdido, Legião Urbana.
5. Aquarela,
Toquinho
6. George Orwell,
Escritor.
7. Versículo Bíblico.
8. O Doador de
Memórias, Lois Lowry.
9. Poesia Reunida,
Bruna Lombardi
10. A Igreja do Diabo,
Machado de Assis.
11. O Caminho do
Guerreiro Pacífico, Dan Millman.
12. O Alquimista, Paulo
Coelho.
!3. O Mundo de Sofia, Jostein Gaarder.
FONTE:JORNAL DO RADIALISTA.